Paulino Luis de Barros Filho, de 88 anos, e Leonir Wiechert de Barros, de 87, celebram 62 anos de casamento em Campo Grande. A história do casal começou no Rio de Janeiro, em um baile mato-grossense, e desde 1964 eles vivem em Mato Grosso do Sul, onde construíram família e carreira.
Paulino, engenheiro civil, conta que foi para o Rio de Janeiro incentivado pelo irmão. “Eu não estava a fim de ir para a fazenda, já tinha dois irmãos trabalhando lá. Ele falou assim: ‘você nem pensa em voltar. Lá na fazenda nem tem lugar para você, nós já somos muitos’. Eu sempre gostei de estudar, era bom aluno, e fui para lá”, relembra.
Na capital fluminense, Paulino morava em uma república e conciliava a faculdade com o serviço militar na Marinha. Foi um colega que o convidou para o baile mato-grossense. “Ele falou para mim: ‘tem um senhor que disse que conhece o seu pai’. Fiquei meio assim, mas ele me convidou e eu falei: vamos. Chegou na hora, tive outro compromisso e não pude ir, e era na casa dela”.
Um novo convite surgiu, desta vez em outro endereço. “Chegando lá, o pai dela contou que conheceu meus pais e meus tios. Quando cheguei, a turma já estava dançando na sala. E quem estava dando um show? Ela. Quando vi, falei: é aquela moça que eu sempre vejo”. O trajeto do bondinho que Paulino usava passava por Leonir, e foi nessas idas e vindas que ele despertou interesse pela futura esposa.
Leonir lembra do baile de formatura da Marinha, onde havia uma fila de oito moças para dançar com o engenheiro. “Resolvemos tirar a sorte e eu fui a sétima. Fiquei pensando enquanto dançava com ele: ‘se ele me largar, vou ser a sétima de novo’. Quando acabou a música, parei no meio do salão e fiquei conversando com ele. Aí tocou outra música e nós dançamos de novo”, conta. A estratégia foi repetida duas vezes.
Dias depois, Paulino convidou Leonir para ir ao cinema. O encontro, porém, não saiu como o planejado. “Eu nunca tinha ido ao cinema com rapaz nenhum e nunca tinha namorado. Quando ele me convidou, pedi para esperar porque iria conversar com a minha mãe. Voltei e falei: ‘minha mãe disse que vai conosco’. Ele fala que eu dei golpe nele, mas não dei”, conta, em tom bem-humorado.
O casamento ocorreu em 25 de abril de 1964. No mesmo ano, o casal mudou-se para Campo Grande, onde já viviam familiares do engenheiro. No Estado, Leonir atuou como advogada, artista plástica e escritora. Paulino participou da construção de prédios históricos da Capital, como o Edifício Iná e a antiga rodoviária.
A história do casal inclui ainda um acidente de avião em junho de 1997. Paulino pilotava a aeronave que decolou da fazenda da família, na Nhecolândia, com destino a Campo Grande. O motor falhou e o avião caiu em um rio próximo à pista. Ninguém ficou ferido.
Em 2026, eles comemoram 62 anos de casamento cercados por filhos, netos e familiares. Atualmente, Leonir já não ouve bem e perdeu a visão, mas continua se arrumando para acompanhar o marido no escritório. Paulino trabalha hoje com agropecuária.
Para ele, o segredo de um casamento duradouro é o sentimento. “Ele vem de dentro para fora, vai sublimando, cobrindo tudo. Você viu um defeito? Ele vem e cobre o defeito da pessoa”, afirma. Segundo o engenheiro, o respeito também é essencial. “Hoje pregam o discurso que a gente sempre adotou. Tem que respeitar a mulher. No meu tempo, não se levantava a mão nem para dar tchau. Nunca falei um palavrão para ela”.
