15/08/2026
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Desemprego disfarçado avança e expõe precarização do trabalho no Brasil

Desemprego disfarçado avança e expõe precarização do trabalho no Brasil

O debate sobre o mercado de trabalho brasileiro foca com frequência nos dados da taxa de desemprego aberto, que está em suas mínimas históricas. No entanto, isso deixa de lado uma questão mais profunda: o desemprego disfarçado. A precarização do trabalho não está ligada apenas às crises econômicas, mas também à transformação da estrutura produtiva do país. Em economias como a brasileira, o aumento de formas de trabalho frágeis reflete mudanças na capacidade de gerar empregos estáveis.

O desemprego disfarçado ocorre quando trabalhadores estão formalmente empregados, mas em relações com baixa estabilidade, alta rotatividade e pouca proteção. No Brasil, isso aparece com a ampliação dos chamados empregos atípicos, que fogem do contrato tradicional por tempo indeterminado. A ocupação formal, nesses casos, não garante estabilidade ou uso pleno da capacidade do trabalhador.

Em 2006, os vínculos atípicos representavam 26,8% do emprego formal. Entre 2006 e 2012, esse índice caiu para cerca de 23%, o menor nível da série. Essa queda ocorreu em um período de crescimento econômico, com expansão de investimentos, construção civil, valorização do salário mínimo e aumento do crédito. A indústria e o mercado interno aquecidos ajudaram a gerar empregos mais estáveis.

A partir de 2014, a situação mudou. A recessão de 2014-2016 piorou as condições de trabalho. A participação dos vínculos atípicos voltou a crescer, chegando a 24,8% em 2017. Foi nesse cenário que a reforma trabalhista de 2017 ampliou as modalidades flexíveis de contratação. Os dados mostram que, mesmo com a reforma, os vínculos frágeis continuaram presentes.

Entre 2017 e 2021, a participação dos vínculos atípicos ficou perto de 25%. Mesmo com a recuperação econômica, houve dificuldade para gerar empregos estáveis. A pandemia de covid-19 aprofundou essa tendência, aumentando a busca por contratos flexíveis.

O avanço do desemprego disfarçado não é só resultado das crises. Ele reflete a perda de complexidade produtiva da economia brasileira, com a redução da indústria de transformação e o crescimento de setores de baixa produtividade. Com menos densidade tecnológica, fica mais difícil criar empregos de qualidade. Sem uma estratégia de reindustrialização, o desemprego disfarçado deve continuar sendo um problema.

(*) José Luís Oreiro é professor associado do Departamento de Economia da Universidade de Brasília e Stefan Wilson D’Amato é doutor em Economia Aplicada pelo CEDEPLAR/UFMG.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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