Após quase seis horas de trabalho, equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deixaram o prédio do Core (Complexo Regulador Estadual), na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, na manhã desta terça-feira. Os agentes levaram um malote com material apreendido durante a Operação Gutenberg.
Os policiais chegaram ao local às 5 horas e saíram às 10h45. De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o esquema criminoso usava a influência de servidores cooptados na área da saúde pública. Esses funcionários condicionavam a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais.
A investigação aponta que os suspeitos também utilizavam servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas. As fraudes ocorriam por meio de contratação direta, com inexigibilidade de licitação, para a aquisição de livros paradidáticos. O valor total do esquema chega a R$ 27 milhões.
A operação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. No caso investigado, ao contrário, os livros foram usados como instrumento para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.
A ação contou com o apoio operacional do Batalhão de Choque e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).
