O Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, onde um avião caiu na manhã desta sexta-feira (3), é classificado apenas para operações de voo visual (VFR). A informação consta no Rotaer, publicação oficial do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A forte neblina registrada na região levanta questionamentos entre profissionais da aviação.
Em voos visuais, o piloto precisa manter referência visual do terreno e do horizonte. Já os voos por instrumentos (IFR) permitem operar com visibilidade reduzida, usando equipamentos de navegação. Como o Santa Maria não tem procedimentos IFR publicados, a decisão de voar em condições ruins depende da avaliação do comandante da aeronave.
Pilotos ouvidos pela reportagem afirmam que as condições meteorológicas da madrugada e do início da manhã devem ser analisadas na investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Eles ressaltam que ainda não há conclusão sobre as causas da queda.
Campo Grande amanheceu com nevoeiro, garoa e sensação térmica de 7,6°C. O nevoeiro foi registrado na região das avenidas Três Barras e Ministro João Arinos, onde fica o aeroporto. O voo que caiu deveria ter decolado às 5h, mas foi adiado por causa do tempo. A aeronave deixou a pista por volta das 6h20 e caiu em uma área de mata perto do Condomínio Atlântico.
O avião do governador Eduardo Riedel (PSDB-MS) também decolou do Santa Maria na mesma manhã. Profissionais do setor destacam que as operações têm características técnicas distintas, o que impede comparações diretas.
A aeronave acidentada tinha autorização para voos IFR, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Especialistas explicam que a certificação da aeronave é diferente da classificação operacional do aeródromo. A administração do aeroporto informou que as informações sobre a pista estão nas publicações oficiais. O acidente será investigado pelo Cenipa.
Reforma anunciada este ano
A discussão sobre as condições do Aeroporto Santa Maria ocorre meses após o anúncio de um investimento para modernização. Em fevereiro, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) homologou a licitação para obras de recuperação e ampliação, no valor de R$ 45,7 milhões.
O projeto prevê a recuperação e ampliação da pista de pouso e decolagem, do pátio de estacionamento de aeronaves e das áreas de taxiamento. Também está prevista a implantação de guarita e receptivo para passageiros. O governo estadual informou que o investimento faz parte do plano aeroviário de Mato Grosso do Sul, voltado para a ampliação da infraestrutura aeroportuária e o fortalecimento da logística regional. A obra integra um pacote de investimentos para criação, recuperação e adequação de aeroportos e aeródromos em diferentes regiões do Estado.
