25/07/2026
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Alzheimer: como vencer a resistência à higiene bucal

Alzheimer: como vencer a resistência à higiene bucal

Quando uma família recebe o diagnóstico de Alzheimer, a atenção geralmente se volta para a perda de memória, o comportamento e a segurança do paciente. No entanto, a higiene bucal frequentemente se torna um dos maiores desafios diários, segundo o odontogeriatra Dr. Marco Polo Siebra, fundador do Grupo de Apoio Alzheimer MS.

O médico relata ouvir semanalmente relatos de cuidadores. “Dr., meu pai não deixa mais ninguém chegar perto da boca dele”, “Minha mãe esqueceu como se escova os dentes” e “Tenho medo de machucá-la” são frases comuns. Para ele, essas falas mostram que o declínio cognitivo transforma a escovação em uma experiência aversiva e confusa para o paciente e exaustiva para o cuidador.

A progressão da doença afeta áreas do cérebro ligadas à coordenação motora fina, à memória procedural e à percepção sensorial. Com isso, o paciente pode não reconhecer a escova de dentes, interpretando-a como algo ameaçador. Também pode esquecer a sequência do movimento, sentir dor ao abrir a boca ou apresentar resistência ativa, como morder a escova.

Existem estratégias baseadas em neurociência para lidar com a situação. A técnica do “Mãos sobre Mãos” consiste em o cuidador se posicionar ao lado ou atrás do paciente e colocar a mão sobre a dele, guiando o movimento da escova. Isso reduz a sensação de invasão e preserva a autonomia residual.

Manter uma rotina fixa também ajuda. Realizar a higiene sempre no mesmo horário, local e com os mesmos instrumentos diminui o estresse. A comunicação deve ser simplificada, com comandos diretos como “Abre a boca” em vez de perguntas abertas.

O uso de escovas com cabos longos e grossos, cerdas ultra macias e cremes dentais com sabor neutro é recomendado. Sabores fortes de menta podem causar aversão. A lubrificação oral também é importante, já que muitos medicamentos para Alzheimer causam boca seca, o que pode levar a feridas e cáries.

O profissional alerta que haverá dias em que o paciente recusará o cuidado bucal. Nesses casos, o cuidador não deve desistir, mas buscar ajuda profissional se notar sangramento excessivo, mau hálito persistente, mudança de comportamento ou perda de peso por dificuldade de mastigação. Para ele, a higiene bucal nesse contexto não é sobre perfeição, mas sobre dignidade e qualidade de vida.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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