24/06/2026
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Barulho de crianças fecha “escolinha” em Campo Grande

Moradores da Rua Anita Garibaldi, no Bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande, reclamam do barulho gerado por um espaço de cuidado infantil. O imóvel não tem identificação da atividade, mas a presença de crianças é percebida pela movimentação na varanda, além de gritos, risadas e choro ao longo do dia.

O aposentado Ernesto Borges, de 70 anos, conta que a cuidadora passou a atuar no endereço há alguns meses. Segundo ele, as principais queixas partem de moradores mais próximos. “Está incomodando os vizinhos lá. Não me incomoda muito porque estou um pouco longe, mas faz barulho. Eu não sei se é possível isso aí, se pode exercer essa atividade. Acho que não”, afirma.

Uma vizinha, enfermeira aposentada de 71 anos, que preferiu não se identificar, relata que a convivência com o espaço é “terrível”. Ela afirma que já houve denúncias ao Conselho Tutelar. “Ficam essas crianças soltas direto aí. Já fizemos denúncias, e é um barulho muito forte o dia inteiro. Às 7h da manhã eu acordo com criança chorando, mães deixam e elas ficam chorando por horas”, diz.

Ela afirma que a situação é ainda mais incômoda porque seu quarto fica voltado para o imóvel. “É um recreio o dia inteiro. Não consigo fazer nada. É uma coisa sem organização”, completa. A aposentada também relata que a proprietária informou aos vizinhos que o imóvel seria alugado para uma cuidadora que atenderia cerca de cinco crianças por período. “Ela disse que seriam poucas crianças, mas no outro dia já virou essa bagunça toda”, afirma.

A responsável pelo espaço, a cuidadora Tatiely Silva, de 29 anos, disse ter sido surpreendida pelas reclamações. Segundo ela, a mãe atua há mais de 40 anos no cuidado de crianças no bairro e já teve alvará em outros endereços. “Minha mãe mora aqui e cuida das crianças. No começo foi tranquilo, depois surgiram denúncias por causa do barulho. Fomos ao Conselho Tutelar e nos disseram que barulho de criança não é crime”, explica.

Diante da situação, Tatiely afirma que decidiu encerrar as atividades no local e buscar outro endereço. “A gente não veio para causar problema. A proprietária nem mora em Campo Grande e ninguém imaginava que isso aconteceria. Estamos assustados. Trabalham comigo minha mãe, minha tia e meu esposo, que ajuda no transporte das crianças”, relata.

Segundo ela, o serviço não se caracteriza como creche ou escola. As cerca de 25 crianças atendidas permanecem no local apenas no contra turno escolar, recebendo alimentação, mas sem atividades pedagógicas formais. “Quem tem tarefa faz, mas é mais na brincadeira. Não fazemos alfabetização. É um apoio para mães que não têm onde deixar os filhos”, explica.

Tatiely afirma que esta é a primeira vez que precisam mudar de endereço por causa de reclamações. “Temos contrato de um ano, mas vamos precisar rescindir. Fica inviável até como moradia”, diz.

O Conselho Tutelar esteve no local e não constatou violação direta de direitos das crianças, mas confirmou a irregularidade administrativa e acionou a SEMED (Secretaria Municipal de Educação). Procurada, a Semed informou que realizou vistoria no local após denúncia. Em nota, a pasta afirmou que foram constatadas irregularidades no funcionamento do espaço. “Após a vistoria, foram identificadas situações inadequadas e irregularidades relacionadas ao atendimento de crianças. O caso foi encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis”, informou a nota.

A reportagem também questionou a prefeitura sobre os procedimentos para regularização de atividades de cuidadora e de creches, mas não houve retorno até a publicação. O espaço segue em funcionamento.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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