10/07/2026
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Estudo propõe asfixia financeira e cooperação contra crime na fronteira

Estudo propõe asfixia financeira e cooperação contra crime na fronteira

Um estudo encomendado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública propõe uma mudança no combate ao crime organizado. O documento defende que o Estado concentre esforços na asfixia financeira das facções, na integração entre órgãos de segurança e no fortalecimento da cooperação policial internacional em fronteiras estratégicas, como a de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.

A publicação Criminalidade Organizada: Diagnóstico e Políticas Públicas e Legislativas foi elaborada por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) e especialistas convidados. O diagnóstico, comum aos dez capítulos, aponta que organizações como o PCC e o Comando Vermelho atuam como redes empresariais transnacionais, presentes em mercados legais e ilegais, com capacidade de lavagem de dinheiro e exploração de fragilidades institucionais.

O estudo sustenta que o modelo tradicional de enfrentamento, baseado em apreensões de drogas, prisões e confrontos armados, se tornou insuficiente. A recomendação é desenvolver mecanismos para atingir a estrutura econômica das organizações criminosas e seus fluxos financeiros. Em vez de seguir apenas a droga, a orientação é seguir o dinheiro.

Na visão dos especialistas, a fronteira deixa de ser tratada apenas como corredor de drogas e armas. Ela passa a ser vista como espaço estratégico para circulação de capitais ilícitos, lavagem de dinheiro e cooperação internacional. A publicação ressalta que regiões de fronteira concentram riscos pela facilidade de ocultação e movimentação de recursos do crime.

Uma das propostas é apresentada pelo agente da Polícia Federal Yuri Corrêa Araújo. Ele defende a criação de seis novos CICOPIs (Centros Integrados de Cooperação Policial Internacional), um deles em Campo Grande. O autor reconhece que os principais gargalos operacionais estão em Ponta Porã e Corumbá, mas sustenta que a capital tem estrutura para sediar equipes permanentes de policiais brasileiros e estrangeiros.

A proposta está alinhada com o governo e reforça a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado, sem classificá-lo como terrorismo.

Os especialistas avaliam que o modelo atual de cooperação é lento diante da velocidade das facções. Para Yuri Corrêa Araújo, a cooperação internacional se tornou um pilar da política criminal brasileira. Ele defende estruturas permanentes de intercâmbio de informações e investigações conjuntas para reduzir a burocracia que favorece a mobilidade das facções.

No rastro do dinheiro

Em um dos capítulos, os pesquisadores afirmam que o “asfixiamento financeiro” é o ponto fraco das organizações criminosas. Eles defendem o fortalecimento da inteligência nas fronteiras, com integração entre Polícia Federal, Receita Federal e Coaf. A proposta parte do princípio de que as facções conseguem recompor perdas de drogas e armas, mas encontram dificuldades quando têm ativos bloqueados e mecanismos de lavagem desmontados.

O estudo também analisa o tráfico de drogas. Os autores defendem que as cadeias ilícitas sejam vistas como mercados, com racionalidade econômica e integração com atividades legais. Paraguai e Bolívia são descritos como elos da cadeia de cocaína e maconha, enquanto o Brasil aparece como país consumidor, corredor logístico e plataforma de exportação.

O estudo destaca as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) como experiências promissoras. Mato Grosso do Sul já conta com uma unidade desse modelo, apontado como exemplo de integração entre Polícia Federal, polícias estaduais e Ministério Público.

A publicação sustenta que a resposta do Estado deve acompanhar a evolução das facções. A estratégia defendida é baseada na descapitalização das organizações, na cooperação internacional, na inteligência financeira e na presença coordenada do Estado nas fronteiras. Nesse cenário, Mato Grosso do Sul passa a ocupar posição estratégica na política nacional de combate ao crime organizado.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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