24/06/2026
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Fertilizante com mamona reduz poluição e aumenta produtividade

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um revestimento biodegradável à base de óleo de mamona e argila mineral que controla a liberação de ureia no solo. A tecnologia, criada por cientistas da Embrapa em parceria com universidades paulistas, permite que o nutriente seja absorvido de forma mais eficiente pelas plantas.

Os testes foram realizados com capim-piatã em casa de vegetação. O fertilizante revestido aumentou a absorção de nitrogênio pelas plantas e elevou a produção de biomassa em comparação à ureia tradicional, usada atualmente em larga escala na agricultura brasileira.

A inovação utiliza um polímero derivado do óleo de mamona combinado com pequenas quantidades de nanoargila mineral chamada montmorilonita. Essa composição nanométrica cria uma barreira ao redor dos grânulos da ureia, fazendo com que o nitrogênio seja liberado lentamente, acompanhando o ritmo de absorção das plantas.

Nos testes laboratoriais, a ureia convencional liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas. A ureia revestida apenas com o polímero de mamona reduziu essa velocidade, atingindo cerca de 70% em nove dias. Quando os pesquisadores adicionaram 5% de nanoargila ao revestimento, somente 22% do nitrogênio foi liberado no mesmo período.

Segundo os pesquisadores, a nanoargila funciona como uma barreira física contra a passagem da água e também interage quimicamente com o nitrogênio, segurando o nutriente por mais tempo. A tecnologia pode ajudar a combater problemas como a volatilização da amônia e a emissão de óxido nitroso, um dos gases associados ao efeito estufa.

Atualmente, mais de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil vêm do exterior. Para os pesquisadores, o desenvolvimento de tecnologias nacionais mais eficientes pode reduzir custos e ampliar a sustentabilidade da produção agrícola.

Durante 135 dias de acompanhamento, as plantas adubadas com o fertilizante de liberação controlada apresentaram maior produção de massa seca e absorveram até o dobro de nitrogênio em relação às plantas fertilizadas com ureia comum.

Para os pesquisadores, a tecnologia abre caminho para uma nova geração de fertilizantes capazes de unir produtividade agrícola, redução de desperdício e menor impacto ambiental.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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