01/05/2026
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Fim do Guangzhou, ex-maior time da China

O Guangzhou FC, fundado em 1954 na cidade chinesa de mesmo nome, viveu uma queda abrupta após ser o maior time do país. Conhecido como “Tigres do Sul da China”, o clube foi heptacampeão consecutivo da liga nacional durante os anos 2010.

O que parecia ruim se agravou em fevereiro de 2010. O time foi rebaixado para a segunda divisão como punição por um esquema de manipulação de resultados descoberto em uma investigação do Ministério de Segurança Pública. A operação também atingiu outros clubes e prendeu ex-dirigentes da federação chinesa.

Nesse momento, o clube foi colocado à venda e comprado ainda em 2010 pelo grupo Evergrande por 100 milhões de yuans, passando a se chamar Guangzhou Evergrande. A empresa, uma gigante do setor imobiliário fundada por Xu Jiayin, tornou-se a principal responsável pelo futuro sucesso da equipe.

Com grandes investimentos, o clube ganhou o apelido de “Chelsea da Ásia”. A reformulação começou com contratações na segunda divisão, incluindo o brasileiro Muriqui. O time foi campeão da segunda divisão ainda em 2010 e retornou à elite.

Nos anos seguintes, o Guangzhou se tornou conhecido por atrair grandes nomes. O elenco contou com jogadores como Conca, Paulinho, Ricardo Goulart e Talisca, além dos técnicos Luiz Felipe Scolari (Felipão), Marcello Lippi e Fabio Cannavaro.

O período foi de grande conquistas: oito títulos do Campeonato Chinês, duas Ligas dos Campeões da AFC, duas Copas da China e quatro Supercopas. Felipão se tornou o técnico mais vencedor da história do clube.

Em 2020, foi anunciado um projeto ambicioso: a construção de um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus, com custo estimado em 12 bilhões de yuans. A arena estava prevista para inaugurar em 2022.

No entanto, a Evergrande, que teve crescimento exponencial baseado em empréstimos, começou a enfrentar uma grave crise de dívidas. A empresa, que chegou a ser um dos maiores conglomerados imobiliários do mundo, entrou em colapso financeiro.

A crise da empresa impactou diretamente o clube. Em entrevista ao ge, o técnico Luiz Felipe Scolari falou sobre o ocorrido. “Quando a crise aconteceu na Evergrande, o clube foi muito impactado. Foi uma queda muito grande”, disse Felipão. Ele também relembrou a boa fase: “Foi um dos melhores lugares que eu vivi. Era incrível. O carinho do povo era espetacular”.

Sem o apoio financeiro da sua controladora, o Guangzhou Evergrande enfrentou dificuldades insustentáveis. O clube que dominou o futebol chinês e foi uma potência continental viu seu fim se aproximar com a falência da empresa bilionária que o sustentava.

O desaparecimento do clube marca o fim de uma era no futebol chinês, mostrando como o modelo de dependência de grandes conglomerados empresariais pode ser frágil. A queda do Guangzhou serve como um caso emblemático dos riscos envolvidos nos investimentos massivos no esporte.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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