O comerciante Gustavo Ramón González Mujica, de 32 anos, acusado de fornecer armas para facções criminosas brasileiras através da fronteira com Mato Grosso do Sul, foi preso neste domingo (24) na cidade de Três de Fevereiro, no Departamento de Caaguazú, no Paraguai.
Ele foi um dos alvos da Operação Dakovo, deflagrada em dezembro de 2023 pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai e pela Polícia Federal brasileira. A ação desmontou esquema internacional de comércio de armas, importadas legalmente de países da Península dos Bálcãs e depois enviadas a organizações criminosas do Brasil com apoio de militares paraguaios.
As investigações apontaram que a loja de caça e pesca de Mujica foi usada no esquema criminoso para importar fuzis e pistolas. Em território paraguaio, as armas eram raspadas e recebiam nova numeração. Posteriormente, com apoio de servidores da Dinabel (Direção de Material Bélico), o armamento era fornecido ao Comando Vermelho e ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Gustavo Mujica estava incluído na Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) e foi preso no perímetro urbano do povoado de 10 mil habitantes, localizado a 220 km da capital Asunción.
A loja de Mujica, a “Caça e Pesca El Dorado”, na cidade de San Antônio, teria importado legalmente 2.007 armas e 150 munições, mas o lote nunca chegou ao comércio legal, pois foi desviado diretamente para as facções criminosas. Quando a loja entrou na mira das investigações, a Polícia Nacional e a Dimabel descobriram que o estabelecimento comercial era de fachada e só existia no papel.
Pelo menos 53 pistolas pertencentes ao lote importado por Gustavo Mujica foram apreendidas em poder de criminosos brasileiros. As demais armas nunca foram localizadas. A polícia paraguaia acredita que o arsenal esteja nas mãos de criminosos da fronteira.
