24/06/2026
Top Sul Noticias»Notícias»Liberdade de imprensa tem pior ranking para jornalistas em 25 anos

Liberdade de imprensa tem pior ranking para jornalistas em 25 anos

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou o ranking de liberdade de imprensa de 2026, referente ao ano de 2025. As notícias indicam que a segurança dos jornalistas ao redor do mundo atingiu o pior nível dos últimos 25 anos. A Noruega mantém a primeira posição. O Brasil subiu para o 52º lugar, ultrapassando os Estados Unidos, que caíram para a 64ª posição. No primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, os EUA perderam sete posições. A Argentina de Javier Milei caiu 11 posições no último ano.

Um estudo publicado no final de 2025, intitulado “Violência contra jornalistas na América do Sul: Argentina e Brasil (2008 a 2024)”, analisou os dados. A pesquisa, assinada pela autora e pelas professoras Liziane Guazina (Universidade de Brasília) e Érica Batista (IDP e INCT-DSI), identificou picos de violência na pré-campanha de Milei na Argentina e no ano da eleição de Jair Bolsonaro no Brasil, além dos anos seguintes de seu mandato. O bom desempenho do Brasil no ranking atual é atribuído à ausência de discursos estigmatizantes contra a imprensa por parte da maior autoridade política do país.

A prática de estigmatização de jornalistas não se restringe a um espectro político. Durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner, identificados com a esquerda, jornalistas também foram ameaçados por apoiadores. O jornal Clarín foi alvo desse tipo de discurso na época. A diferença na atuação de Milei, segundo o estudo, é que ele dirige agressões a todos os profissionais do jornalismo, independentemente da linha editorial.

Pesquisas do Centro de Pesquisa Comunicação & Trabalho (CPTC), da ECA-USP, apontam para a precarização dos vínculos de trabalho formal e das condições para o exercício da profissão. A literatura recente define a segurança do jornalista como “segurança ocupacional”, que inclui as dimensões física, psicológica, digital e financeira.

A segurança psicológica é uma dimensão com pouca discussão no Brasil. Não há disciplinas nos cursos de graduação em Jornalismo que preparem os futuros profissionais para lidar com o estresse da carreira. A autora e a doutoranda Vitória Baldin iniciaram um mapeamento das pesquisas brasileiras sobre o tema. Os resultados serão apresentados no artigo “Segurança de Jornalistas: saúde mental e trauma no contexto brasileiro”, no 35º encontro da Compós, em Natal, em junho. Um relatório preliminar, intitulado “Liberdade de expressão em risco: como a saúde mental de jornalistas e comunicadores entra na equação?”, foi publicado no final de 2025.

Esses trabalhos e um curso de pós-graduação sobre violência no campo da comunicação, a ser oferecido no segundo semestre, são frutos de um projeto financiado pela Noruega, país que lidera o ranking da RSF há dez anos. Nos últimos cinco anos, o Brasil melhorou seus índices e sua posição no ranking.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeioda

Ver todos os posts →