20/05/2026
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Massoterapia do Japão vira negócio de família

Conhecimento foi o bem mais valioso que o casal de descendentes de asiáticos Toshiro Hishinuma e Rosimary Yuriko Shiguemoto trouxe para Campo Grande (MS) de Osaka, no Japão. Ele foi investido na criação de uma empresa que faz atendimentos de massoterapia e ensina técnicas a pessoas de todo o mundo pela internet.

No início dos anos 2000, os dois fizeram parte da onda migratória de brasileiros em busca de trabalho do outro lado do mundo para melhorar as condições financeiras. Foi durante esse movimento que se tornaram parceiros na vida e nos negócios. Toshiro e Rosimary se conheceram na mesma fábrica de plástico japonesa onde trabalhavam de 10 a 12 horas por dia. Descobriram que eram primos de primeiro grau que nunca se encontraram. Ele morava no Rio de Janeiro (RJ) e ela sempre esteve em Campo Grande.

Decidiram usar as folgas no final de semana para aprender massoterapia. As aulas iam além da técnica e ensinavam a filosofia oriental para a prevenção e tratamento de doenças do corpo e “da alma”, conforme foram entendendo. Enteado de Toshiro e filho de Rosimary, Rodrigo também viajou para o Japão mais tarde.

Primeiros passos no Brasil

De volta ao país de origem, a família começou a oferecer sessões de massoterapia por meio da quick massage (versão rápida do atendimento em uma cadeira ergonômica) para funcionários do Banco do Brasil, em Campo Grande. Elas faziam parte da política de bem-estar laboral da instituição na época. Enquanto nos países asiáticos a técnica milenar era encarada como aliada da saúde, havia muito preconceito em torno dela em terras brasileiras. “Na cabeça da maioria das pessoas, ainda tinha conotação sexual, mas não era nada disso”, diz Rodrigo. Essa mentalidade levou um tempo para ser superada.

O atendimento de Toshiro e Rosimary foi também contratado por empresas. Eles iam para lá e para cá com as cadeiras de massoterapia o dia todo, e mal conseguiam se alimentar direito. “O que às vezes a gente comia era um pão com mortadela no caminho, tomava um refrigerante”, ela lembra. Os ganhos também não eram compatíveis com o quanto trabalhavam.

Plano B e a clínica própria

No Japão, Toshiro e Rosimary aprenderam a nunca apostar todas as fichas numa coisa só. Era importante ter um plano B. Em Campo Grande, a família decidiu se dividir com essa premissa. Toshiro começou a atender a domicílio e Rodrigo e Rosimary seguiram na quick massage. A estratégia deu certo. “Indo até a casa das pessoas, comecei a fazer uma cartela de clientes, ser indicado”, lembra Toshiro.

A solução foi traçada por ele. “Eu tive o sonho de ter uma clínica na rua onde moramos e aconteceu de surgir uma casa à venda, que compramos e adaptamos”, conta. À medida que o preconceito contra a massoterapia caía por terra, a clínica de Toshiro se popularizou. Ele passou a compartilhar o conhecimento em cursos presenciais quando não tinha pacientes agendados.

Rosimary passou a trabalhar como gestora da clínica. Assumiu a parte financeira após aprender sobre os números com contadores. Rodrigo virou secretário e o tio Roberto Shiguemoto juntou-se à família para cuidar do agendamento de pacientes.

Pandemia e expansão online

Anos mais tarde, veio a pandemia de Covid-19. A empresa foi uma das primeiras a procurar o setor da prefeitura responsável pelas autorizações para funcionamento. A família criou um plano de biossegurança. Médicos que já eram clientes de Toshiro pediram que a clínica não fechasse. A pandemia acabou sendo um momento importante para levar o nome dele mais longe. Ele começou a dar cursos pela internet e o número de seguidores cresceu bastante.

Antes desse período, o que já impulsionava o seu trabalho foi o reconhecimento da massoterapia como uma das PICS (Práticas Integrativas e Complementares em Saúde) regulamentadas pelo Ministério da Saúde.

Atendimentos e legado

Toshiro viajou para atender pessoas famosas, entre elas Susana Vieira, Patrícia Pillar e Fafá de Belém. Mas o que tem realizado mesmo o massoterapeuta é ver o conhecimento adquirido no Japão se espalhando pelo resto do mundo por meio dos cursos online. Toshiro e Rosimary não pensam em sucessores para a clínica. “O que eu tenho que deixar é o conhecimento”, finaliza o massoterapeuta.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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