O PSOL foi o primeiro partido a registrar candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul nas Eleições 2026. O pedido, protocolado por Lucien Rezende, já consta no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e inclui um plano de governo de 10 páginas, documento obrigatório para todos os candidatos ao Executivo.
O programa apresentado define diretrizes para várias áreas da administração pública. Entre os temas centrais estão o fortalecimento do SUS, a valorização dos servidores, a preservação ambiental, políticas habitacionais, investimentos em educação e mudanças na política de segurança pública.
Na introdução do documento, a federação PSOL e Rede Sustentabilidade afirma que sua estratégia em Mato Grosso do Sul tem três eixos: apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecimento de candidaturas legislativas ligadas a pautas trabalhistas e mobilização pelo fim da escala de trabalho 6×1. O texto também cita a defesa dos direitos sociais, dos povos indígenas e da sustentabilidade ambiental.
O plano de governo fica disponível para consulta pública no sistema DivulgaCand.
Saúde e Educação
A saúde é o tema com maior espaço no plano. As propostas incluem ampliar os investimentos no SUS, fortalecer a rede pública estadual e expandir o programa Mais Médicos para regiões afastadas, periferias, comunidades indígenas e municípios com falta de profissionais.
O documento também prevê a criação do programa “Saúde em Casa”, para atendimento domiciliar de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldade de locomoção. A proposta inclui equipes multidisciplinares, UTIs móveis e atendimento preventivo e emergencial.
Outra diretriz é a regionalização da saúde, com reforço de hospitais regionais para reduzir deslocamentos de pacientes. O plano também prevê valorização dos profissionais da área, com melhores salários, planos de carreira e qualificação permanente. Há ainda propostas de políticas de saúde específicas para indígenas, população negra, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores de periferias e da zona rural.
Na educação, Lucien Rezende propõe ampliar o ensino em período integral, valorizar professores e servidores administrativos e realizar concursos públicos para suprir a falta de profissionais na rede estadual. O documento defende uma educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade.
Segurança, Habitação e Meio Ambiente
Para a segurança pública, o plano afirma que o estado precisa de uma política baseada em inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos. As propostas incluem investimentos em tecnologia, integração das forças de segurança e cooperação com órgãos federais e internacionais, por causa da condição de estado fronteiriço. O texto também prevê valorização dos profissionais, políticas de saúde mental para agentes e ações sociais em áreas periféricas para prevenção da violência.
O plano ainda defende políticas de prevenção à violência contra mulheres, combate ao feminicídio, proteção às populações indígenas e enfrentamento ao racismo estrutural.
Na habitação, a proposta prevê um programa estadual de habitação popular em parceria com os 79 municípios. O público prioritário seriam famílias de baixa renda, mulheres chefes de família, pessoas em vulnerabilidade, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. O documento também propõe uso de tecnologias construtivas, como casas modulares, regularização fundiária, urbanização de bairros periféricos, aluguel social e mutirões habitacionais.
Na área ambiental, o plano propõe ampliar a fiscalização contra desmatamento e queimadas ilegais, recuperar áreas degradadas e incentivar o desenvolvimento sustentável. O texto critica os impactos da expansão da indústria da celulose no leste do estado, citando o aumento da mortalidade de animais silvestres nas rodovias por causa do tráfego de caminhões. O documento também defende fiscalização mais rigorosa sobre a mineração em Corumbá e o fortalecimento dos órgãos ambientais.
Cultura, Esporte, Emprego e Renda
Na cultura, o plano propõe um calendário estadual permanente de eventos, ampliação de editais públicos, descentralização dos investimentos e fortalecimento das manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras, pantaneiras, sertanejas, urbanas e periféricas. No esporte, o candidato defende ampliação da infraestrutura pública, programas de incentivo ao esporte de base, escolar e universitário, e políticas de inclusão para mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, idosos e moradores de periferias.
Sobre emprego e renda, o documento cita a expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, mas questiona o modelo de desenvolvimento. Segundo o plano, apesar da geração de empregos e do aumento da arrecadação, grandes empresas recebem incentivos fiscais enquanto persistem problemas como desigualdade social, baixos salários e carências em infraestrutura.
