25/06/2026
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Tereza Cristina cresce na crise da direita e vira alternativa do agro

A senadora Tereza Cristina surge como uma alternativa viável da direita para 2026, em meio ao enfraquecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro e ao desgaste do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. Única entre os 11 parlamentares federais de Mato Grosso do Sul com mandato até 2030, ela é lembrada nos bastidores de Brasília como um nome capaz de reorganizar o centro-direita.

O cientista político Daniel Miranda afirma que a trajetória da senadora a consolidou como um “nome nacional” da direita desde sua passagem pelo Ministério da Agricultura. Ele a define como uma “reserva moral” do Progressistas, destacando que ela nunca se envolveu em grandes escândalos ou polêmicas durante os quatro anos como ministra.

Líder do Progressistas no Senado e vice-presidente nacional da legenda, Tereza Cristina reagiu com cautela às revelações da Polícia Federal sobre supostos pagamentos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Ciro Nogueira. Ela defendeu uma investigação rigorosa, mas preservou o discurso da presunção de inocência.

A senadora pavimenta um caminho que pode levá-la à disputa presidencial ou ao comando do Senado. O deputado Dagoberto Nogueira (PSDB) acredita que o escândalo inviabiliza a candidatura de Flávio Bolsonaro e vê Tereza Cristina como capaz de unir a extrema direita, o centro e até a centro-esquerda. O senador Nelsinho Trad (PSD) também a coloca entre os nomes viáveis do campo conservador.

Aliados afirmam que Tereza Cristina não demonstra entusiasmo em ser vice de Flávio Bolsonaro. O deputado Luiz Ovando (PP) diz que ela se sentiria mais confortável como vice se o candidato fosse Tarcísio de Freitas, que está limitado à reeleição em São Paulo.

Dentro da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), Tereza Cristina é vista como um dos nomes mais sólidos do setor. Sua trajetória nacional se consolidou em 2018, quando presidiu a comissão que aprovou o projeto que flexibilizava regras para registro de agrotóxicos, o que lhe rendeu o apelido de “Musa do Veneno”. Ela sempre tratou a pauta de maneira frontal, defendendo a modernização da legislação.

O estilo político de Tereza Cristina é marcado pela articulação silenciosa, longe de conflitos nas redes sociais. Ela é voz influente em disputas sobre marco temporal e demarcações de terras indígenas. Durante o governo Bolsonaro, foi vista como uma ministra pragmática, que trabalhou para preservar mercados estratégicos como China e Oriente Médio.

Interlocutores do Centrão, dirigentes partidários e setores do mercado enxergam nela uma ponte entre o agro exportador, o conservadorismo e a direita liberal. Daniel Miranda avalia que ela continuará sendo lembrada para composições majoritárias, especialmente se outros nomes do campo conservador enfrentarem desgaste.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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