24/06/2026
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USP cria núcleo de inovação para acessibilidade digital

Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como um direito a ser consolidado e uma adaptação arquitetônica a ser realizada. Rampas, elevadores e normas urbanísticas tornaram-se símbolos de um processo que buscava corrigir conceitos e práticas históricas. Era como se pessoas com deficiência não existissem e, de repente, elas surgissem diante de barreiras físicas. As primeiras políticas de acessibilidade só começaram a surgir a partir dos anos 1960.

Hoje, a acessibilidade arquitetônica, embora ainda não resolvida, já não é a principal preocupação. Com a migração da vida contemporânea para o ambiente digital, este também precisa ser acessível. Serviços públicos, bancos, educação, comércio e relações sociais estão em plataformas on-line, e a exclusão se manifesta por interfaces inacessíveis e sistemas que ignoram a diversidade humana.

Foi nesse contexto que foi criado o NIA – Núcleo de Inovação em Acessibilidade do InovaUSP. A proposta é tratar a acessibilidade não apenas como obrigação legal, mas como um vetor de inovação tecnológica assistiva. O núcleo foi idealizado por Roseli de Deus Lopes, professora da Escola Politécnica e diretora do Instituto de Estudos Avançados da USP, Arturo Forner Cordero, professor da Poli-USP, e Cid Torquato, ex-secretário municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo. A ideia é servir como um hub de projetos inovadores.

O Brasil possui legislação avançada, como a Lei Brasileira de Inclusão, mas ainda há distância entre o que está previsto e a prática. A acessibilidade muitas vezes é pensada como correção posterior, quando deveria fazer parte do processo de criação. A proposta do NIA é colocá-la no centro da agenda de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Os coordenadores afirmam que a crescente inclusão de pessoas com deficiência e a necessidade de assistência aos longevos tornam essas questões mais urgentes. Plataformas acessíveis alcançam mais pessoas, ampliam mercados e melhoram a experiência do usuário. O mote do NIA-InovaUSP é articular acessibilidade e inovação de forma interdisciplinar.

O núcleo pretende impulsionar o desenvolvimento de recursos inclusivos, interfaces acessíveis e ferramentas adaptativas, com princípios de design universal. A ideia é conectar a universidade com o mercado e a sociedade. Quando tecnologia e inclusão caminham juntas, não se trata apenas de remover barreiras, mas de não construí-las, imaginando um futuro em que a diversidade humana oriente a inovação.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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