Uma agropecuária apresentou ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) um RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) para desmatar 5,9 mil hectares do Pantanal. O objetivo é implantar pastagem para a criação de gado de corte. A área equivale a 8 mil campos de futebol padrão Fifa.
O estudo foi entregue neste ano e antecede qualquer autorização. Ele é necessário caso o plano seja licenciado pelo órgão ambiental. A área fica em Corumbá, na Fazenda Santana, de propriedade da Agropecuária Guaxuma, de Iguatemi.
Segundo o RIMA, a principal atividade da propriedade é a criação extensiva de bovinos. A supressão da vegetação é necessária para “atender à demanda alimentar do rebanho”. O documento afirma que a ação é “tecnicamente viável e ambientalmente admissível”, desde que siga as medidas mitigadoras propostas.
O relatório defende que a pecuária de corte é estratégica para a economia do estado. A não ampliação da área de pasto, segundo o estudo, reduziria oportunidades de emprego e renda, além da arrecadação tributária. O texto também diz que é possível produzir sistemas mais intensivos, eficientes e sustentáveis.
Foram feitos levantamentos da fauna terrestre, aquática e aérea, além de estudos de solo, hidrografia e geologia. Com base nisso, foi feita uma análise de impactos ambientais e possíveis compensações. O próprio estudo avalia que as vantagens são apenas no aspecto socioeconômico, sendo o impacto ambiental negativo.
Entre as ações propostas para evitar erosões e assoreamento está a realização do desmate em períodos de seca. O motivo é que o período chuvoso é de reprodução de boa parte da fauna. Também está previsto um Programa de Controle de Processos Erosivos.
Pesquisas da reportagem em publicações oficiais não identificaram a emissão de nenhuma licença para a supressão até o momento.
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