25/06/2026
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Bruno Gagliasso questiona: por que homens não choram?

O ator Bruno Gagliasso, de 44 anos, revelou em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do GLOBO, que teve dificuldades para se desligar do personagem que interpreta no filme “Por um fio”, baseado no livro de Drauzio Varella. Na trama, ele vive o irmão do médico, que morre de câncer. O filme estreia em outubro.

Para o papel, o ator perdeu 24 quilos. “Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”, disse. Bruno afirmou que leva o personagem para casa e não consegue separar o trabalho da vida pessoal. “Admiro grandes atores que conseguem separar. Tony Ramos, por exemplo… Eu levo o personagem para casa, não sei separar meu trabalho. Preciso ficar pensando nele 24 horas.”

Bruno Gagliasso também comentou sobre sua carreira e a escolha dos papéis. Ele afirmou que decidiu, a partir de agora, aceitar apenas personagens que o emocionem ou que possam transformar as pessoas. “Está tudo dentro da gente. Procuro existir e não atuar”, disse.

O ator falou sobre o filme “Clarice vê estrelas”, sua primeira produção no cinema, dedicada à filha Titi. “É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro… É difícil ver isso no cinema”, afirmou. Ele contou que convidou o jogador Vini Jr. para ser produtor associado do longa e que o atleta aceitou na hora.

Bruno também comentou a importância de interpretar o líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político, no longa “Honestino”. “Se estive do lado da escória da História (em ‘Marighella’, interpretou um torturador), também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje”, declarou.

Sobre a estética, o ator disse que usar a aparência como recurso dramatúrgico foi uma forma de fugir do rótulo de galã. “Óbvio! Principalmente no começo da carreira. Hipocrisia dizer que não. As pessoas te encaixam onde querem e você se deixa ser encaixado ou não. Perdi muito protagonista de novela das oito porque falava: ‘Não quero fazer o galã, prefiro um papel menor’”, contou.

Bruno Gagliasso falou sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDHA). “Fui expulso de três escolas. Quando comecei a trabalhar, já tinha consciência. Tomo remédio desde sempre. Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido”, explicou. Ele disse que não aceita papéis que não lhe interessam, mesmo que paguem bem ou sejam em Hollywood.

O ator também comentou sobre a adoção dos filhos na África. “Amor não tem CEP. Não escolhi ir para a África para me tornar pai. Minha mulher se tornou mãe e eu me tornei pai porque ela foi visitar um país e encontrou o grande amor da vida dela, que é a nossa filha”, afirmou.

Bruno Gagliasso participou do videocast “Conversa vai, conversa vem”, que foi ao ar hoje, às 18h, no YouTube e no Spotify.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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