Câmeras de universidade falham há meses e vítima de estupro fica sem imagens

As câmeras de segurança da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Paranaíba, cidade a cerca de 410 quilômetros de Campo Grande, estão sem funcionar há pelo menos oito meses. O caso veio à tona nesta segunda-feira (17), após amigas da estudante de 19 anos que foi estuprada no campus levarem a informação ao Diretório Central dos Estudantes (DCE).
A vítima tentou obter as imagens das câmeras para auxiliar na denúncia do crime, mas descobriu que os equipamentos estavam inoperantes. De acordo com uma estudante, que preferiu não se identificar, o problema já era conhecido e vinha sendo cobrado desde o início do ano, quando uma série de furtos foi registrada na unidade.
"Há pelo menos oito meses não funcionam", afirmou a estudante. Ela contou que os alunos já haviam questionado a universidade sobre os equipamentos após os furtos e receberam a informação de que as câmeras estavam quebradas.
Além da falta de câmeras, as estudantes cobraram melhorias na iluminação do estacionamento, considerado um local escuro, e medidas para reforçar a segurança. A vítima está com medo de voltar às aulas, já que o suspeito ainda não foi identificado e permanece solto.
A unidade de Paranaíba conta atualmente com apenas um vigia patrimonial terceirizado, que não é treinado para situações de conflito ou abordagens. "Hoje a gente só tem um vigia patrimonial", disse a estudante, defendendo uma estrutura de segurança que proteja os alunos, principalmente as mulheres.
O campus tem cerca de 500 alunos. O estacionamento, dividido em duas áreas, é usado principalmente por professores e servidores. As estudantes que procuraram o DCE não souberam dizer em qual dos espaços o estupro ocorreu.
O reitor da UEMS deve participar de uma reunião com estudantes em Paranaíba nesta segunda-feira. O DCE também marcou uma manifestação no campus às 19h para cobrar medidas de segurança.
O crime aconteceu no mês passado, quando a estudante saía da aula durante a noite. Ela foi abordada por um homem que pediu seu número de telefone. Após a recusa, ele a agarrou à força e cometeu o estupro. A vítima conseguiu descrever o suspeito, e a Polícia Civil divulgou um retrato falado no dia 12 deste mês.
O caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Paranaíba. A polícia pede que qualquer informação sobre o suspeito seja repassada às autoridades e alerta para que ninguém tente abordá-lo ou confrontá-lo. O Campo Grande News tenta contato com a UEMS e aguarda posicionamento.


