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Quem tem escoliose pode se aposentar? O que a perícia analisa

Mãos de fisioterapeuta com luvas azuis tratando a região das costas de paciente
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A escoliose é o desvio lateral da coluna vertebral, medido em graus pelo ângulo de Cobb em uma radiografia de coluna total. Existe em versões leves, que passam a vida inteira despercebidas, e em versões severas, que comprimem nervos, reduzem a capacidade respiratória e impedem qualquer atividade que exija ficar de pé ou carregar peso. Entre um extremo e outro está a dúvida que leva milhares de pessoas ao balcão do INSS todo ano.

Quem tem escoliose pode se aposentar: o que a lei exige

A resposta depende do grau do desvio e, principalmente, do impacto dele na capacidade de trabalho. O INSS não concede benefício por diagnóstico, mas por incapacidade comprovada. Duas pessoas com o mesmo ângulo de curvatura podem receber decisões opostas, porque uma trabalha sentada em escritório e a outra atua na construção civil.

De forma geral, a perícia costuma classificar assim: curvaturas abaixo de vinte graus raramente geram incapacidade; entre vinte e quarenta graus, o resultado depende da atividade exercida e da presença de dor documentada; acima de quarenta e cinco graus, com repercussão neurológica ou respiratória, a chance de reconhecimento é alta.

Os benefícios possíveis para quem tem escoliose

Auxílio por incapacidade temporária

Cabe quando a crise é aguda, com hérnia associada, radiculopatia ou pós-operatório de artrodese. O afastamento dura o tempo do tratamento e é revisto em nova perícia. É a porta de entrada mais comum e costuma ser o primeiro benefício concedido.

Aposentadoria por incapacidade permanente

Exige incapacidade total e definitiva, sem possibilidade de reabilitação profissional. Em escoliose, normalmente aparece em quadros com curvatura acentuada, deformidade de tronco, compressão medular ou insuficiência respiratória restritiva confirmada por espirometria.

Aposentadoria da pessoa com deficiência

É o caminho mais subestimado. A escoliose grave que gera impedimento de longo prazo pode enquadrar o segurado na Lei Complementar 142, permitindo aposentadoria antecipada por tempo de contribuição, com redução conforme o grau de deficiência reconhecido na avaliação biopsicossocial. Não é preciso estar incapaz para trabalhar, apenas comprovar a barreira funcional persistente.

Benefício assistencial para quem nunca contribuiu

Quem não tem qualidade de segurado pode pleitear o benefício de prestação continuada, desde que comprove deficiência de longo prazo e renda familiar por pessoa dentro do limite legal. O valor é de um salário mínimo, não gera décimo terceiro e não deixa pensão por morte, mas garante renda a quem ficou fora do sistema contributivo.

O que a perícia médica realmente analisa

O perito observa a marcha, a postura ao sentar e levantar, a mobilidade de tronco, a presença de gibosidade, o teste de Adams e sinais de comprometimento neurológico como perda de força e alteração de reflexos. Exames de imagem sustentam o que o exame físico sugere.

Levar a radiografia de coluna total em ortostatismo, com o ângulo de Cobb descrito no laudo, é indispensável. Ressonância magnética ajuda quando há suspeita de compressão. Relatório do ortopedista ou do neurocirurgião descrevendo a evolução, os tratamentos já tentados e o resultado deles é o documento de maior peso.

Vale acrescentar o histórico de fisioterapia, o receituário de analgésicos e a descrição detalhada da função exercida. Quem opera empilhadeira, monta móveis ou trabalha em frigorífico enfrenta exigências físicas que precisam estar registradas no processo.

Escoliose no trabalho: nexo e estabilidade

Escoliose idiopática não é doença ocupacional, mas atividades que exigem esforço repetitivo e carga axial podem agravar o quadro. Quando o agravamento é reconhecido, o benefício passa a ser acidentário, o que garante estabilidade de doze meses no emprego após a alta e recolhimento do fundo de garantia durante o afastamento.

Esse reconhecimento costuma ser negado na esfera administrativa e revertido em juízo. Quem pretende discutir o tema deve reunir a documentação da função e entender como funciona uma audiência trabalhista una na prática, porque o depoimento sobre a rotina de trabalho é decisivo para a caracterização do nexo.

Erros que levam ao indeferimento

O mais comum é comparecer sem exame de imagem recente. Radiografia de cinco anos atrás não comprova o estado atual. O segundo erro é apresentar apenas atestados curtos, sem laudo descritivo. O terceiro é minimizar as limitações na conversa com o perito, por vergonha ou por hábito de suportar a dor.

Também pesa a escolha errada do benefício. Muitos pedem incapacidade permanente quando o caso se encaixa melhor na aposentadoria da pessoa com deficiência, que exige critérios diferentes. A mesma lógica vale para outras condições crônicas, como se vê na análise sobre aposentadoria de quem tem artrite reumatoide.

Perguntas frequentes sobre escoliose e aposentadoria

Quantos graus de escoliose aposentam?

Não existe número fixo em lei. Na prática pericial, curvaturas acima de quarenta e cinco graus com repercussão funcional têm alta chance de reconhecimento. Entre vinte e quarenta e cinco graus, a decisão depende da atividade exercida, da dor documentada e das limitações comprovadas em exame.

Escoliose dá direito ao benefício assistencial?

Pode dar, quando gera impedimento de longo prazo superior a dois anos e a renda familiar por pessoa fica dentro do limite legal. É a alternativa para quem nunca contribuiu ou perdeu a qualidade de segurado, com avaliação médica e social feita pelo próprio INSS.

Cirurgia de coluna garante a aposentadoria?

Não garante. A artrodese costuma justificar afastamento temporário durante a recuperação, que dura de seis meses a um ano. A aposentadoria permanente só é concedida se, encerrado o tratamento, restar limitação definitiva incompatível com qualquer atividade laboral.

Posso pedir revisão se o benefício foi cessado?

Sim. Existe o pedido de prorrogação, feito nos quinze dias anteriores à data de cessação, e o pedido de reconsideração após a alta. Ambos são solicitados pelo aplicativo do INSS e mantêm o histórico do caso, sem necessidade de abrir requerimento inteiramente novo.

Onde acompanhar mais orientações de saúde?

Critérios de perícia mudam com frequência e afetam quem depende de benefício. Vale acompanhar também o conteúdo sobre grau de autismo que dá direito a benefício e veja a rota de Saúde reunido no portal.

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