
Receber a intimação para comparecer a uma audiência una assusta quem nunca pisou em uma vara do trabalho. O nome técnico esconde algo simples: é a audiência que concentra, em uma única sessão, tudo o que em outras justiças ficaria dividido em vários encontros. Tentativa de acordo, apresentação da defesa, depoimento das partes, oitiva de testemunhas e razões finais acontecem no mesmo dia, diante do mesmo juiz. Entender essa sequência antes de entrar na sala muda o resultado.
Como funciona uma audiência trabalhista una na prática
A audiência una é a regra no rito ordinário. Ela começa com o pregão, quando o servidor chama as partes pelo nome e confere a presença. Estar presente é obrigação, não formalidade. A ausência do reclamante gera arquivamento do processo e condenação em custas. A ausência da empresa gera revelia, e os fatos narrados na inicial passam a ser presumidos verdadeiros.
Feito o pregão, o juiz abre com a proposta conciliatória. Não é etapa decorativa: boa parte dos processos termina exatamente aqui. Se não houver acordo, a defesa da empresa é juntada ao sistema e o advogado do trabalhador se manifesta sobre os documentos apresentados.
Na sequência vem a instrução. O juiz colhe o depoimento pessoal do reclamante, depois do preposto da empresa, e por último ouve as testemunhas de cada lado, sempre separadamente, para que uma não escute a outra. Terminada a prova, as partes apresentam razões finais, quase sempre de forma remissiva, e o juiz renova a proposta de acordo antes de encerrar.
Quem precisa comparecer
O reclamante comparece pessoalmente, acompanhado do advogado. A empresa se faz representar por um preposto, que precisa conhecer os fatos do caso. Não basta ser gerente ou sócio: preposto que responde "não sei" às perguntas sobre a rotina do setor prejudica a defesa, porque suas declarações vinculam a empresa.
Testemunhas comparecem independentemente de intimação, salvo se houver requerimento expresso e deferido de intimação judicial. Cada parte pode levar até três testemunhas no rito ordinário e até duas no sumaríssimo. Quem leva testemunha que não presenciou os fatos perde a chance de provar o que alega, porque só se ouve o que a pessoa viu ou viveu diretamente.
O que levar e como se preparar
Documento oficial com foto é indispensável. Além disso, vale organizar carteira de trabalho, contracheques, cartão de ponto, comprovantes de depósito de fundo de garantia e conversas de aplicativo que comprovem jornada, ordens de serviço ou dispensa.
A preparação mais importante, porém, é mental. O depoimento pessoal é feito sob compromisso e qualquer contradição entre o que foi dito na petição e o que se fala na sala enfraquece o caso. Responder apenas o que foi perguntado, sem inventar detalhes e sem tentar adivinhar datas, é a postura que mais protege o trabalhador.
Audiência por videoconferência
Sessões telepresenciais se consolidaram nos tribunais regionais do Sul e seguem o mesmo roteiro da audiência presencial. Exigem conexão estável, ambiente silencioso, câmera ligada e documento em mãos. Testemunha em videoconferência precisa estar sozinha na sala, e o juiz costuma pedir que ela mostre o ambiente com a câmera antes de depor.
Audiência inicial separada
Em varas com pauta muito carregada, o juiz pode fracionar o ato: primeiro uma audiência inicial só para tentativa de acordo e recebimento da defesa, depois uma audiência de instrução para as provas. O fracionamento é legal e comum, mas costuma alongar o processo em alguns meses.
A proposta de acordo: aceitar ou seguir?
A decisão precisa de conta feita antes, não improvisada na hora. Compare o valor oferecido com o valor provável de condenação, considere a chance de a prova testemunhal falhar e leve em conta o tempo de espera até a execução.
Vale lembrar que o acordo homologado com quitação geral impede novas cobranças sobre o mesmo contrato. Já a quitação limitada às parcelas do acordo preserva pedidos futuros. Ler essa cláusula com atenção é decisivo. Quem quer dimensionar a espera de uma sentença deve conhecer o prazo real de um processo trabalhista até o fim antes de recusar a proposta.
Erros que custam o processo na audiência
Chegar atrasado é o mais grave. A tolerância é de quinze minutos após o horário do pregão, e nem sempre é aplicada. Trânsito e falta de estacionamento não são justificativas aceitas.
Discutir com o preposto ou com o juiz é o segundo erro. A audiência é gravada e o comportamento é avaliado. O terceiro erro é exagerar valores no depoimento: dizer que fazia quatro horas extras por dia quando o cartão de ponto registra duas destrói a credibilidade de todos os outros pedidos.
Por fim, muita gente chega sem saber quanto está pedindo. Antes da sessão, revise o cálculo de verbas rescisórias, principalmente se o pedido envolve saldo de salário e proporcionais. O conteúdo sobre como calcular os dias trabalhados na rescisão ajuda a chegar com números na ponta da língua.
Perguntas frequentes sobre audiência trabalhista una
Quanto tempo dura uma audiência una?
A maioria dura de trinta minutos a duas horas. Sessões com acordo rápido terminam em quinze minutos. Casos com quatro ou mais testemunhas, perícia discutida e depoimentos longos podem passar de três horas, com intervalo determinado pelo juiz.
Posso faltar à audiência se meu advogado for?
Não. A presença pessoal do reclamante é obrigatória e a ausência injustificada gera arquivamento do processo, além de condenação ao pagamento de custas. Doença comprovada por atestado médico apresentado no prazo é a única justificativa aceita com segurança.
O que acontece se a empresa não comparecer?
Configura-se a revelia, e os fatos narrados na petição inicial passam a ser presumidos verdadeiros. Isso não garante ganho automático de tudo o que foi pedido, porque o juiz ainda analisa provas documentais e a compatibilidade jurídica dos pedidos formulados.
Preciso levar testemunha?
Só se houver fato que não se prove por documento, como jornada extraordinária sem registro, assédio moral ou acúmulo de função. Testemunha que não presenciou os fatos atrapalha mais do que ajuda, porque abre espaço para contradita e enfraquece a narrativa.
Onde acompanhar serviços e direitos do trabalhador?
Mudanças de entendimento nos tribunais alteram o dia a dia de quem tem processo em curso. Para se manter atualizado sobre trabalho, previdência e serviço público na região, nossa rota de Notícias. Quem enfrenta dor crônica na coluna e pensa em afastamento deve ler também sobre quem tem escoliose pode se aposentar.


