25/06/2026
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Ex-freiras casadas: ‘Deus foi nosso cupido

Duas jovens que seguiram o chamado para a vida religiosa e se tornaram freiras em um convento em São Paulo acabaram se casando uma com a outra. A história de Francília Costa e Luiza Silvério começa com uma antipatia mútua, que com o tempo se transformou em amizade e, mais tarde, em amor.

Francília, do Piauí, e Luiza, de Minas Gerais, entraram no convento por volta dos 20 anos. Luiza sentia um “vazio” na adolescência e um chamado para uma missão. Fran foi criada por avós muito religiosos e também acreditava ter uma missão religiosa. No início, a convivência não foi fácil. Luiza lembra que achou Fran “metida”, e o sentimento era recíproco.

Após alguns anos, ambas deixaram a vida religiosa por motivos de saúde mental. Luiza perdeu a avó e começou a ter crises de ansiedade, sendo diagnosticada com depressão. Durante a pandemia de covid, Fran foi diagnosticada com síndrome do pânico. Em sessões de terapia, ela passou a questionar a rotina no convento. “A vida religiosa é uma vida muito linda, mas você precisa ter saúde física e mental”, disse Fran.

Fran tinha pânico de sair do convento, mas foi encorajada por Luiza. “A Luiza também precisou cuidar da saúde mental dela. E quando ela decidiu sair, foi para mim um choque”, contou Fran. As duas passaram a enfrentar problemas práticos. Fran precisou comprar roupas novas, pois todas as suas roupas eram da vida missionária. Para dividir as despesas, elas resolveram alugar um apartamento juntas.

Foi na convivência que a amizade virou amor. Fran tomou a iniciativa depois de assistir a uma comédia romântica, “Amor em Verona”, em que os protagonistas se odeiam e depois se apaixonam. O sentimento era mútuo, e a amizade virou namoro e, depois, casamento.

As duas seguem sendo católicas praticantes. Elas compartilham a história nas redes sociais e recebem perguntas de cristãos com questões sobre a própria sexualidade e de pessoas LGBT que têm medo de se aproximar da fé. “Isso começou a fortalecer esse desejo de falar sobre a nossa história de uma forma aberta, sobre a nossa sexualidade, sobre a nossa fé”, disse Luiza.

Luiza faz questão de corrigir a interpretação de que a saída do convento foi uma fuga da sexualidade. “Na época a gente estava focada na questão de servir a Deus, de seguir mesmo os passos que Ele traçou”, afirmou. Antes de entrar para a vida missionária, ambas se enxergavam como bissexuais, mas isso não influenciou a decisão. “Eu não queria me relacionar com ninguém. Queria realmente viver o celibato”, disse Luiza.

As famílias das duas acolheram o relacionamento. As primeiras a saber foram as irmãs de cada uma. Os dilemas foram de ordem religiosa, sobre como continuar praticando a fé dentro de um catolicismo que não reconhece o relacionamento. “Não dá para separar o Je…”, disse Luiza, sem concluir a frase no relato.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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