25/06/2026
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Feminicídio em MS: metade das vítimas morre em casa à noite

Feminicídio em MS: metade das vítimas morre em casa à noite

Dados do Mapa do Feminicídio 2026, divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mostram que metade dos assassinatos de mulheres no estado ocorreu dentro de casa e durante a noite. O levantamento abrange os primeiros meses do ano e revela que o ambiente doméstico, compartilhado com o companheiro, é o local de maior risco para as vítimas.

Entre janeiro e maio deste ano, os casos de feminicídio, consumados e tentados, aumentaram 23% em Mato Grosso do Sul na comparação com o mesmo período de 2025. Os números indicam que 65,5% das mulheres assassinadas foram mortas pelos próprios companheiros ou cônjuges. Outros 15,3% tiveram como autores ex-companheiros ou ex-maridos.

Um levantamento do Campo Grande News, com base nos crimes noticiados até maio, registrou 12 vítimas de feminicídio no estado. As mulheres tinham entre 18 e 74 anos e foram mortas em cidades como Bela Vista, Corumbá, Coxim, Três Lagoas, Ponta Porã, Anastácio, Paranhos, Selvíria, Campo Grande, Eldorado, Mundo Novo e Dourados.

Metade dos feminicídios aconteceu à noite, período em que vítimas e agressores geralmente estão juntos em casa. Outros 33,3% dos crimes ocorreram à tarde e 16,7% pela manhã. A residência compartilhada pelo casal foi o local de 50% dos assassinatos. As vias públicas responderam por 16,7% dos casos.

O perfil dos autores reforça a relação entre feminicídio e violência doméstica. Mais de 80% dos assassinatos foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros. A arma branca, como facas e objetos cortantes, foi usada em 47% dos registros analisados. Na sequência, aparecem atropelamento, armas de fogo e asfixia ou estrangulamento.

Entre as vítimas deste ano, Liliane de Souza Bonfim Duarte, Vera Lúcia da Silva e Beatriz Benevides da Silva foram mortas dentro de casa. Liliane, enfermeira de 52 anos, foi atacada na residência da família em Ponta Porã. O marido, subtenente do Corpo de Bombeiros, é apontado como autor. Ela morreu dias depois de ser agredida com uma marreta. Os três filhos do casal também foram vítimas da violência.

Vera Lucia da Silva, de 41 anos, foi assassinada no quintal da própria casa, em Eldorado, na frente da filha de 9 anos. O ex-companheiro teria chegado ao imóvel e atirado contra ela. Dias depois, o corpo de Vera foi violado no cemitério. Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi morta na madrugada de 25 de fevereiro no apartamento que havia alugado em Três Lagoas para morar com o namorado, que confessou o crime.

Outro dado do Mapa do Feminicídio aponta que mais de 80% das vítimas não possuíam medida protetiva de urgência em vigor quando foram assassinadas. O índice mostra um dos desafios da rede de proteção: fazer com que mulheres em situação de violência busquem ajuda antes que as agressões evoluam para um desfecho fatal.

Durante o lançamento da campanha “Você Merece um Amor Leve”, promovida pelo MPMS, integrantes da instituição destacaram que informação e conscientização são ferramentas para romper ciclos de violência. A campanha alerta para sinais como controle excessivo, ameaças, humilhações e isolamento social, comportamentos frequentemente confundidos com demonstrações de afeto.

Em situações de emergência, mulheres podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou a Guarda Civil Metropolitana pelo 153. Também é possível buscar orientação na Ouvidoria do MPMS, pelo canal 127, ou procurar a Promotoria de Justiça mais próxima. A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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