O Jardim Seminário, na região norte de Campo Grande, próximo à UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), é apontado por moradores como um dos bairros mais tranquilos da capital. A poucos minutos do Centro, o local reúne facilidades urbanas e elementos típicos do interior, como pequenas chácaras, hortas e uma rotina marcada pelo sossego.
A principal artéria da região é a Avenida Tamandaré. A via concentra o fluxo de veículos, transporte coletivo e parte importante da vida econômica e social do bairro. Em poucos quilômetros, convivem choperias, lanchonetes, conveniências e bares frequentados por universitários. Na mesma avenida, está localizada uma tradicional selaria artesanal, tocada há décadas por Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos.
A história da região está ligada à Igreja Católica. Segundo o aposentado Onofre Damasceno, de 66 anos, a área pertencia à Diocese de Campo Grande antes de ser loteada. Filho de um funcionário da Igreja, Onofre acompanhou as transformações da região. Ele lembra que a chegada do asfalto e da UCDB impulsionou o desenvolvimento do bairro. Hoje, ele dedica parte do tempo aos cuidados com uma horta orgânica. Onofre conta que a proximidade com uma área de reserva faz com que animais silvestres, como quatis, aves e jiboias, apareçam com frequência. “Tem quati, tem jiboia, tem muito animal por aqui. Eles aparecem porque tem a reserva. Mas não é perigoso”, afirma.
As raízes religiosas do bairro permanecem visíveis na paisagem urbana. Muitas ruas carregam nomes ligados à tradição católica, como as ruas São Simão, Santo Aleixo e Santo Antão.
Natural de Alto Taquari (MT), o doutorando em Educação Wallace José de Lima, de 32 anos, chegou a Campo Grande em 2019 para estudar História. Para ele, a segurança e a praticidade são os principais diferenciais do bairro. “Nunca tive problema de assalto. Tem mercado, açougue e conveniências perto”, relata. Wallace destaca que o bairro oferece opções de lazer, como choperias e bares universitários próximos da UCDB.
O servidor público Leomar Pretti, de 52 anos, conta que a expansão da universidade impulsionou o crescimento da região. Quando chegou, muitas ruas ainda eram de terra. “Hoje melhorou bastante. O bairro é acolhedor, pacífico e muito mais estruturado”, afirma. Para Leomar, o principal atrativo é o equilíbrio entre natureza e comodidade. Ele sugere a instalação de controladores de velocidade na Avenida Tamandaré.
O artesão Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos, mantém uma selaria no bairro. Ele aprendeu o ofício com o pai e viu o movimento aumentar e novas construções ocuparem espaços antes vazios. “Quando cheguei, muitas dessas casas não existiam. Hoje cresceu bastante”, lembra. Sebastião acredita que o bairro conservou a tranquilidade. “A melhor coisa daqui é a tranquilidade. É bem sossegado. E tem tudo perto: mercado, posto de saúde, comércio”, conclui.
