28/07/2026
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Jatinho brasileiro apreendido na Bolívia com 189 kg de ouro

A Aduana Nacional da Bolívia divulgou um comunicado oficial sobre a apreensão de aproximadamente 189 quilos de ouro em barras. O minério seria embarcado em um voo fretado com destino a Dubai, partindo do Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra.

O caso veio a público após a imprensa boliviana noticiar que quatro malas contendo o ouro foram retidas pela Força Especial de Combate ao Crime (FELCC) antes do embarque. A aeronave envolvida é um Gulfstream G100 (IAI Astra) de matrícula brasileira PS-ZRZ. O avião está registrado em nome de Valdir José Zorzo, proprietário do Grupo Dallas Alimentos, conforme dados da Anac.

Um documento de autorização de sobrevoo obtido pelo jornal brasileiro MídiaMax aponta que o piloto em comando seria Jim Clark D’Angelo Macedo Araújo. A aeronave decolou de Campo Grande no dia 21 de julho, fez uma parada em Corumbá e depois seguiu para Santa Cruz de la Sierra.

Segundo a Aduana boliviana, a equipe de plantão foi informada pelo responsável pelo voo fretado de que alguns passageiros transportavam ouro na bagagem de mão. Os agentes iniciaram uma verificação para confirmar a existência da autorização de exportação exigida pela legislação local. Durante a consulta ao sistema informatizado SUMA, não foi encontrado nenhum registro referente à carga.

A Aduana acionou um representante do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (SENARECOM). O servidor do órgão analisou o formulário M03 apresentado pelos responsáveis pela carga e constatou que o documento teria sido reportado como inválido durante a verificação.

Diante das inconsistências, a Aduana, em coordenação com a Navegação Aérea e Aeroportos Bolivianos (NAABOL), acionou a polícia para reter o ouro e investigar a tentativa de exportação. Seis pessoas foram detidas inicialmente, mas apenas Adrián Lema Roca, de 22 anos, permaneceu preso por apresentar documentação de exportação falsa. Ele seria o responsável pela carga, avaliada em US$ 25 milhões (cerca de R$ 128 milhões). A aeronave foi liberada dias depois e hoje se encontra em Cuiabá.

O Grupo Dallas afirmou à imprensa que a aeronave é de propriedade do dono e que “fica à disposição para voos fretados” quando ele não está usando. No entanto, a Anac aponta que o jatinho não é homologado para táxi-aéreo (RBAC 135) e que o único proprietário e operador é o próprio empresário, não sendo vinculado a nenhuma empresa apta para fretamento.

O advogado do grupo alimentício informou ao MídiaMax: “Ao que consta, não tem nenhuma situação em cima dessa aeronave. A gente sabe que ela costuma ser contratada para voos fretados. A gente tem o nosso piloto, que, por fazer parte de empresas que estão no meio da aviação, ele sempre tem os contatos. Ele faz todo o procedimento, os registros, os planos de voo… tudo é ele quem faz. Ele é o responsável irrestrito sobre qualquer local que a aeronave vai. A responsabilidade é dele, que está incomunicável no momento.”

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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