O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Campo Grande absolveu Gabriel Valdonado de Souza, de 27 anos, nesta sexta-feira (29). Ele era acusado de envolvimento no assassinato de Erick Luciano Santos Lopes, de 22 anos. O crime ocorreu em novembro de 2023, no bairro Danúbio Azul, região norte da capital.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Gabriel, o irmão Rafael Valdonado de Souza e o pai, Nivaldo Benjamim de Souza, estavam envolvidos na morte de Erick, conhecido como “Mega”. No dia 1º de novembro de 2023, os três teriam ido até a casa da vítima em um Peugeot 206. Gabriel e Rafael teriam entrado no imóvel e efetuado dois disparos contra o jovem.
Enquanto os irmãos estavam na residência, o pai permaneceu no carro, aguardando. Conforme o inquérito, a vítima, junto com alguns amigos, havia agredido Gabriel após o réu tentar furtar uma bicicleta. Em represália, a família teria decidido matar Erick. Ainda de acordo com o Ministério Público, Rafael foi quem entrou armado na casa e, ao encontrar a vítima, efetuou os disparos.
Gabriel e o pai, Nivaldo, foram presos logo após o assassinato, em uma unidade de saúde. Os dois somavam 46 passagens pela polícia. Eles ficaram em silêncio no depoimento na delegacia e, em 3 de novembro, passaram por audiência de custódia. A liberdade provisória foi concedida com uso de tornozeleira eletrônica.
Durante o julgamento desta sexta-feira, a defesa de Gabriel pediu a absolvição por negativa de participação e insuficiência de provas. Também alegou participação de menor importância, reconhecimento de privilégio por domínio de violenta emoção, injusta provocação da vítima e afastamento das qualificadoras. O Conselho de Sentença decidiu pela absolvição de Gabriel.
Rafael Valdonado, que ficou foragido após o crime, chegou a enviar uma carta ao pai negando o assassinato. No texto, entregue por Nivaldo à reportagem do Campo Grande News, Rafael negou ter sido o autor do disparo. Ele afirmou que, ao ver o irmão ferido, foi atrás dos responsáveis, mas não encontrou ninguém.
No relato, Rafael disse que foi até o endereço onde “Mega” estava e recebeu ameaças. “Disse para eu sair fora, senão vamos quebrar vocês dois como fizemos com o seu irmão”, escreveu. Segundo a carta, no momento em que Erick teria feito menção de se levantar, Rafael afirmou: “Eu não estava armado, nem fui lá com intenção de matar ninguém, mas não sabia que o cara que foi comigo estava e sacou a arma e atirou”.
Em setembro de 2025, Rafael foi a julgamento no Tribunal do Júri e condenado a 14 anos de reclusão pelo assassinato de Erick Luciano Santos Lopes.
