25/06/2026
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Júri rejeita feminicídio e condena marido por morte acidental

Júri rejeita feminicídio e condena marido por morte acidental

O acusado de matar a esposa Jussara Gimenez Pereira dos Santos, Alfredo Netto, foi condenado, mas o júri rejeitou a qualificadora de feminicídio. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (16), em Campo Grande, na 1ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Carlos Alberto Garcete.

Os jurados acolheram a tese da defesa de que o disparo que matou Jussara foi acidental. O crime foi desclassificado para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Com a decisão, Alfredo foi condenado a 2 anos e 6 meses de detenção pela morte e a outros 2 anos de reclusão pelo porte ilegal de arma de fogo. Somadas, as penas chegam a 4 anos e 6 meses, além de 10 dias-multa.

O advogado de defesa, Ivan Hidelbrand, afirmou que a tese apresentada aos jurados foi acolhida. “Ele foi condenado à pena mínima do homicídio culposo em dois anos e seis meses e dois anos no porte”, disse. Segundo o defensor, o período em que Alfredo ficou preso preventivamente e depois monitorado por tornozeleira eletrônica será descontado da pena. “Ele cumpriu preso um período provisoriamente de quase cinco meses e mais seis meses de tornozeleira. Vai fazer a detração, então deve resultar em regime aberto”, explicou.

A morte de Jussara ocorreu em 26 de setembro de 2024. A investigação da Polícia Civil concluiu que a morte não foi acidental e apontou indícios de feminicídio. A hipótese era de que Alfredo teria atirado na esposa por não aceitar uma possível separação. O Ministério Público denunciou o acusado por feminicídio e porte ilegal de arma de fogo.

Durante o julgamento, o filho de Jussara, Douglas Aparecido, criado por Alfredo desde os 12 anos, prestou depoimento. Ele afirmou que não responsabiliza o padrasto pela morte da mãe. “Essa pessoa que vocês estão vendo é quem me criou. Eu seria a pessoa mais aborrecida do mundo com a situação e eu não condeno ele, porque eu sei o homem que ele foi para a minha mãe e sei o pai que ele foi para mim”, declarou. Douglas classificou a morte como uma “fatalidade”.

Em seu interrogatório, Alfredo disse que não teve intenção de matar. Ele afirmou que o casal discutia dentro do veículo quando houve uma disputa pela arma. O réu alegou que enfrentava depressão e Parkinson e que, naquele dia, havia manifestado desejo de tirar a própria vida. Segundo ele, Jussara tentou tomar o revólver e o disparo ocorreu durante a discussão. Questionado pelo promotor sobre como tinha certeza de que o disparo foi feito por Jussara, respondeu: “Porque não fui eu”.

Após os debates, os jurados rejeitaram a qualificadora de feminicídio e acolheram a tese de homicídio culposo. Alfredo Netto foi responsabilizado pela morte de Jussara, mas sem o reconhecimento de que tenha agido com intenção de matar a esposa.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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