25/06/2026
Top Sul Noticias»Notícias»Pai de falso médico também atuava ilegalmente

Pai de falso médico também atuava ilegalmente

O pai do falso médico preso por exercer ilegalmente a profissão em um hospital da zona leste de São Paulo também já foi investigado pelo mesmo crime. A informação foi dada pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, a jornalistas na tarde de hoje no 22º DP, na zona leste.

Segundo Gonçalves, o pai do preso atuava ilegalmente como médico e teria ligação com o crime organizado. A identidade do homem e outros detalhes sobre sua atuação ilegal não foram apresentados.

O filho, Marcos Phelipe de Barros, foi preso por usar documentos falsificados para atuar como médico. Ele utilizava o registro de um médico verdadeiro de nome Nicolas e trabalhava no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na zona leste.

Marcos Phelipe e Maike César Silva foram alvos da Operação Hipócrates II. O segundo envolvido, que usava documentos falsos em seu nome, fugiu para o Chile, segundo a investigação.

A polícia afirma que ambos fizeram mais de 2 mil atendimentos em dois anos. Investiga-se se eles foram responsáveis pelas mortes de nove pessoas após atendimentos precários e errôneos.

Em uma das mortes, uma idosa precisou de ressuscitação cardíaca, e um dos falsos médicos não sabia como fazer o procedimento. Ela teve uma parada cardíaca durante o atendimento e morreu, de acordo com o delegado José Mariano Filho, que conduz o caso.

Em outro episódio, uma mulher esperou oito horas por um exame. Após a constatação do óbito, o IML concluiu que houve erro de procedimento e a vítima morreu de aneurisma na aorta.

Durante a investigação, Marcos Phelipe foi flagrado aplicando uma caneta emagrecedora em uma mulher na calçada, segundo a polícia. Em vídeo obtido pelo UOL, ele sai do residencial Villagio di Verona, no Tatuapé, e encontra a mulher em um carro. A aplicação dura menos de dois minutos.

Marcos foi preso na manhã de hoje. Ele e o outro homem, foragido no Chile, são investigados após nove pacientes morrerem em decorrência de possíveis erros nos atendimentos.

O UOL apurou que os suspeitos trabalhavam no Hospital de Clínicas Jardim Helena. Fundado em 1975, a unidade fica na rua Erva Andorinha e atende convênios como Porto Seguro e SulAmérica.

Agentes cumprem sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. A ação é conduzida pelo 22º Distrito Policial, de São Miguel Paulista, e ocorre em São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.

A dupla teria trabalhado por dois anos na unidade, realizando cerca de 2 mil atendimentos. A especialidade em que atuavam não foi informada.

A Justiça determinou o afastamento da gestora operacional e do diretor clínico do hospital durante as investigações. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, e suas defesas não puderam ser contatadas.

O delegado responsável afirma que busca também quem deu suporte ao esquema. “Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas”, disse Mariano de Araújo.

A primeira fase da operação ocorreu em 16 de dezembro do ano passado, com buscas no próprio hospital. A polícia diz que as diligências continuaram até a identificação de alguns alvos, culminando na nova etapa de hoje.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeioda

Ver todos os posts →