09/08/2026
Top Sul Noticias»Notícias»Pais buscam quebrar padrão e ser mais presentes na rotina dos filhos

Pais buscam quebrar padrão e ser mais presentes na rotina dos filhos

Pais buscam quebrar padrão e ser mais presentes na rotina dos filhos

Pais buscam quebrar o padrão e estar presentes na rotina dos filhos

O trabalho sempre aparece como o principal fator que afasta os pais da rotina dos filhos, como participar de reuniões na escola ou acompanhar as crianças em uma consulta médica. Apesar da correria, muitos pais buscam quebrar esse padrão.

Esse é o caso do médico veterinário e empresário de São Gabriel do Oeste, Demorval de Oliveira Júnior, de 34 anos, que tem um filho de um ano. “Eu levo na escola, vou à natação, então, em todas as atividades do dia a dia, eu tento estar presente”, disse ao Campo Grande News.

Ele conta que a jornada de trabalho alternativa, das 3h às 14h, ajuda. “A partir das duas da tarde, ele fica comigo e eu dou todo o suporte para ele”, completa.

Para ele, além de participar mais da vida do filho, o objetivo é dividir as responsabilidades com a esposa. “Eu tenho uma participação bem ativa, porque acredito que a vida hoje em dia está muito corrida. Então, se deixar só para a mulher, só para a mãe, ela se sobrecarrega demais. Eu procuro ajudar bastante, desde as atividades mais básicas até as mais complexas”, aponta.

Já o engenheiro civil, Fabiano Ribeiro, de 42 anos, pai de duas meninas, de 1 e 5 anos, defende a participação ativa na vida das filhas como exemplo para o futuro. “É fundamental o pai estar presente sempre. Eu acho que o crescimento das crianças depende muito também da ajuda dos pais, não só do pai, mas da mãe, dos pais em geral. E também é muito gratificante”, afirma.

Ele conta que só não vai às reuniões quando há outros compromissos. “Só em últimos casos, quando, às vezes, alguma reunião de trabalho ou viagem não dá. Do restante, eu sempre vou, sempre estou presente, porque eu também acho que isso é muito importante para elas”, finalizou.

Mães são maioria nas reuniões

Nas reuniões sobre notas, comportamento e outras questões da rotina escolar, cerca de 80% dos responsáveis que comparecem à Escola Municipal Doutor Tertuliano Meirelles, no Bairro Caiçara, em Campo Grande, são mulheres. A presença dos homens aumenta nas atividades realizadas com as famílias aos fins de semana, segundo a direção.

Para ampliar a participação dos responsáveis, a escola passou a realizar reuniões aos sábados, flexibilizou os horários de atendimento e criou o Dia da Família. Segundo o diretor Arthur Oliveira, a dificuldade de conciliar o trabalho com os horários da unidade é uma das justificativas mais frequentes para a ausência.

“Existe aquela questão de falar: ‘Puxa, meu serviço, eu não consigo’. Então, o que percebemos que poderíamos fazer de diferente? Nossas reuniões são aos sábados, um dia mais atrativo porque a maioria não tem o compromisso com o serviço”, explica.

O Dia da Família também surgiu como alternativa para aproximar os responsáveis da escola. Realizada pela primeira vez no ano passado e repetida neste ano, a programação reúne estudantes e familiares em atividades como queimada, pingue-pongue, jogos de tabuleiro, artesanato e oficinas de slime, fotografia e mandalas. “É um momento com o filho diferenciado. Não vai ser só aquela coisa de cobrança, de saber como está o filho”, afirma Arthur.

Segundo o diretor, apesar disso, as mulheres continuam sendo maioria quando a escola chama para tratar de notas, comportamento ou alguma ocorrência. “Os pais homens têm, sim, uma resistência. O que mais vem são as mães ainda”, relata.

Conforme a diretora adjunta Paula Marciano, o Dia da Família foi criado justamente para ampliar a participação dos responsáveis na escola. Segundo ela, quando o assunto envolve notas, comportamento ou algum problema na rotina dos estudantes, as mães ainda representam cerca de 80% dos responsáveis que comparecem.

A presença dos homens aumenta durante as atividades realizadas aos fins de semana. “Quando trouxemos o Dia da Família para a escola, percebemos uma participação maior dos pais. Eles vêm para jogar com os alunos e participar das atividades recreativas”, afirma.

A unidade também flexibiliza os horários para quem não consegue comparecer durante o expediente convencional. A equipe faz atendimentos próximo ao horário do almoço e, quando necessário, agenda conversas por volta das 18h.

Para Paola Evangelista, coordenadora de Psicologia e Serviço Social Educacional da SED (Secretaria de Estado de Educação), o acompanhamento familiar deve fazer parte da rotina dos estudantes e não ficar restrito às datas comemorativas.

Segundo ela, a participação dos responsáveis ajuda no acompanhamento da aprendizagem e do desenvolvimento socioemocional e mantém a comunicação com a escola. “A rotina de acompanhamento proporciona estar atento às questões de forma imediata”, explica.

Paola acrescenta que as atividades realizadas em datas comemorativas também são oportunidades de aproximação entre estudantes, responsáveis e a comunidade escolar.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeioda

Ver todos os posts →
Lista completa de artigos