25/05/2026
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Risco de super El Niño: Bombeiros reforçam plano contra incêndios

Com risco de um El Niño severo em 2026, Mato Grosso do Sul iniciou a preparação para uma nova temporada de incêndios florestais. O Corpo de Bombeiros Militar do estado (CBM/MS) já reforçou o planejamento para o segundo semestre, período mais crítico, após enfrentar crises históricas em 2020 e 2024, especialmente no Pantanal.

Projeções do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) indicam 92% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno climático entre junho e agosto. A tendência é de intensificação gradual até o fim do ano, com possibilidade de um El Niño moderado a forte entre a primavera e o início do verão. O cenário preocupa por estar associado ao aumento das temperaturas, irregularidade das chuvas e longos períodos de seca.

Segundo o Capitão Pedro Paulo Barros da Costa, chefe do Setor de Planejamento da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, o prognóstico para o segundo semestre exige atenção máxima. Ele afirma que o cenário previsto é semelhante ao ocorrido em 2023, que antecedeu a grave crise de 2024. O temor é que a temporada de incêndios se prolongue além do habitual, podendo avançar até 2027.

Para evitar a repetição das cenas devastadoras, a corporação ampliou a estrutura e o efetivo. O Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (PEMIF) prevê a mobilização de 170 militares dedicados ao combate aos incêndios florestais, além da possibilidade de apoio da Força Nacional e integração com prefeituras e órgãos ambientais.

O Corpo de Bombeiros também prevê a instalação de até 11 bases avançadas em áreas de difícil acesso, como a região do Amolar, no Pantanal. A estrutura operacional inclui 25 viaturas, 19 kits pick-up de combate a incêndio florestal, 160 motosserras, 186 moto sopradores, 270 mochilas costais e 17 drones com câmera térmica. O monitoramento foi intensificado, com equipes trabalhando 24 horas acompanhando focos de calor por satélite, em parceria com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

Treinamentos operacionais e ações de manejo preventivo, como queimadas prescritas em áreas estratégicas, já foram iniciados. Uma delas foi realizada no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (PEVRI). A estratégia reduz a vegetação seca que pode servir de combustível para incêndios de grandes proporções.

O planejamento estadual também prevê a proibição do uso do fogo e campanhas de conscientização, conforme o avanço de condições críticas como baixa umidade, altas temperaturas e ventos intensos.

Nos últimos anos, o estado enfrentou duas graves crises ambientais. Em 2020, 3,9 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo no Pantanal, sendo 1,8 milhão de hectares em território sul-mato-grossense, segundo dados da UFRJ. Em 2024, cerca de 1,9 milhão de hectares queimaram no estado, dos quais aproximadamente 1,7 milhão no Pantanal. O Capitão Pedro Paulo avalia que o estado chega mais preparado para enfrentar uma temporada intensa, com estrutura evoluída em equipamentos, viaturas e capacitação.

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Sobre o autor: Sofia Almeioda

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