14/08/2026
Top Sul Noticias»Notícias»Fazendas de MS pagarão R$ 1,7 mi por trabalho escravo

Fazendas de MS pagarão R$ 1,7 mi por trabalho escravo

Fazendas de MS pagarão R$ 1,7 mi por trabalho escravo

Fiscalizações realizadas pela Superintendoria Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul resultaram no resgate de 36 trabalhadores em condições análogas à escravidão neste ano. As ações ocorreram em propriedades rurais de diferentes municípios do estado.

As investigações identificaram R$ 454.107,06 em verbas rescisórias que deverão ser pagas aos trabalhadores. As fazendas também terão que arcar com R$ 1.741.780,00 em indenizações por danos morais.

Os trabalhadores resgatados são brasileiros, paraguaios e indígenas. Entre as ocorrências também foram identificados menores de idade. As atividades envolviam pecuária, corte de madeira, limpeza de pastagens, construção de cercas e silvicultura.

O superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero, afirmou que essas situações ainda atingem a população mais vulnerável. “É mais no meio rural, é estrangeiro, é indígena, é uma população em situação de vulnerabilidade. Infelizmente, ainda é uma realidade, mas Mato Grosso do Sul é protagonista no combate a esse tipo de chaga social”, disse.

Cantero também destacou que o desenvolvimento do estado não combina com o trabalho escravo. “A pujança do nosso agro, a tecnologia que chega no campo, toda a organização, a competitividade que o agronegócio tem no Brasil, não combina com a condição análoga ao trabalho escravo”, completou.

Casos em diferentes municípios

Em Aquidauana, uma fiscalização em março resgatou três brasileiros de uma fazenda onde atuavam em pecuária, corte de lenha e construção de cercas. No mesmo mês, uma operação em Corumbá resultou no resgate de seis trabalhadores, sendo cinco indígenas e um boliviano, que trabalhavam na pecuária e na limpeza de pastagens.

Ainda em março, em Bela Vista, três trabalhadores foram resgatados durante atividades de pecuária e construção de cercas. Entre eles estavam um brasileiro e dois paraguaios, sendo que um dos paraguaios era menor de idade.

Em Figueirão, a fiscalização ocorreu em abril e encontrou trabalhadores envolvidos na silvicultura e no corte de eucalipto. Foram resgatados 16 trabalhadores: dois brasileiros e 14 paraguaios. Já em Jardim, em julho, três trabalhadores foram resgatados em uma propriedade onde realizavam corte de madeira e construção de cercas. O grupo era formado por um brasileiro e dois paraguaios.

Em Corumbá, dois brasileiros foram resgatados em agosto. Eles trabalhavam na construção de cercas de uma fazenda.

Operações em 2025

Ao longo de 2025, foram resgatados 104 trabalhadores em operações realizadas em Porto Murtinho, Corumbá, Paraíso das Águas, Maracaju, Coxim, Caarapó, Deodápolis, Nova Andradina, Anastácio, Itaquiraí, Bonito e Caracol. As operações resultaram no levantamento de aproximadamente R$ 860 mil em verbas rescisórias.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeioda

Ver todos os posts →
Lista completa de artigos