O Governo Federal colocou à disposição dos produtores rurais R$ 30 bilhões em crédito por meio do programa Caminho Verde Brasil. A iniciativa pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas. Segundo o Ministério da Agricultura, o programa tem potencial para dobrar a produção agropecuária brasileira sem a necessidade de novos desmatamentos.
A informação foi apresentada pelo assessor especial do Ministério da Agricultura e coordenador do programa, Pedro Cunto, durante o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizado em Campo Grande. Segundo ele, a meta é recuperar 40 milhões de hectares em todo o país, ampliando a produção de alimentos e biocombustíveis e reduzindo a pressão sobre áreas de vegetação nativa.
“Viemos falar do programa Caminho Verde Brasil, que é o nosso programa de recuperação de áreas degradadas. Tem uma meta de 40 milhões de hectares, o que permitiria a gente talvez dobrar a produção brasileira. Sem desmatar uma árvore”, afirmou Cunto.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o programa busca aumentar a resiliência climática da agropecuária, promover a segurança alimentar, estimular a transição energética, reduzir emissões de carbono e alcançar o desmatamento zero. A proposta prevê a recuperação de áreas degradadas, pouco produtivas ou abandonadas, transformando esses espaços em sistemas produtivos sustentáveis.
Pedro Cunto destacou que o Brasil já possui um dos maiores níveis de preservação ambiental do planeta, mas que a exigência dos mercados internacionais por produtos sustentáveis tende a aumentar. “Para a gente ter acesso a esses mercados preferenciais, a gente precisa continuar crescendo, mas sem desmatar. O programa não está mais só no papel. A gente já tem 30 bilhões de reais nos bancos disponíveis para os produtores”, disse.
Na fase inicial, o programa conta com cerca de US$ 6 bilhões e tem dez instituições financeiras habilitadas para operar os recursos: Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco Votorantim, Rabobank e Safra. A expectativa é transformar até 3 milhões de hectares de áreas degradadas em sistemas produtivos sustentáveis nesta primeira etapa.
Os produtores que aderirem ao programa assumem compromissos relacionados ao desmatamento zero, certificação trabalhista, monitoramento de carbono e adoção de práticas sustentáveis. Sobre o acesso ao crédito, Pedro reconheceu que os recursos ainda não estão sendo ofertados de forma ampla pelas agências bancárias e orientou os produtores interessados a procurarem diretamente seus gerentes.
“No primeiro momento, é natural que os bancos… é tudo muito novo. A gente tem uma série de exigências de monitoramento adicionais. Então, os bancos estão selecionando os produtores. Não é algo que eles estão divulgando largamente nas agências”, explicou. Ele reforçou que os interessados devem procurar as instituições financeiras para demonstrar interesse na linha de crédito.
“É um recado importante para o produtor que está interessado e que ainda não foi procurado pelo seu banco. Procure o banco. Peça para que o gerente entre em contato com a área de agronegócio para que ele possa participar. Porque ainda não está como uma linha de varejo igual ao Plano Safra. Estará no futuro. Mas, nesse momento, o produtor tem que bater na porta do banco”, concluiu.
