Os juízes e desembargadores de Mato Grosso do Sul caíram da primeira para a terceira posição no ranking nacional dos maiores custos médios mensais por magistrado entre os tribunais de Justiça do país. Mesmo com a queda de posição, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) continuou entre os mais caros do Brasil em 2025, com custo médio mensal de R$ 154.153 por magistrado.
O dado consta no relatório Justiça em Números 2026, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com informações referentes ao ano de 2025. O levantamento considera 217 magistrados no TJMS, grupo que inclui juízes de primeiro grau e desembargadores.
A queda no ranking não significa redução de custo. Em 2023, o TJMS aparecia no topo da lista, com custo médio mensal de R$ 120.354 por magistrado. Em 2024, passou ao segundo lugar, com R$ 151.256. Em 2025, caiu para a terceira posição, mas o valor subiu novamente, chegando a R$ 154.153.
Na prática, Mato Grosso do Sul perdeu posição porque outros tribunais passaram a gastar mais com a remuneração e custeio dos magistrados. Em 2025, o maior custo médio mensal foi registrado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), com R$ 209.583 por togado. Em seguida veio o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com R$ 177.613. O TJMS ficou logo atrás.
O valor apontado pelo CNJ não corresponde ao salário líquido recebido por cada juiz ou desembargador. É uma média de custo para o tribunal, que inclui remuneração, benefícios, encargos, previdência social, diárias, passagens, indenizações judiciais e outras indenizações eventuais ou permanentes.
Com 217 magistrados, o custo médio mensal estimado desse grupo no TJMS passa de R$ 33,4 milhões. Em 12 meses, a conta supera R$ 401 milhões. Em 2023, quando o TJMS tinha 219 magistrados, o custo mensal estimado era de R$ 26,3 milhões. Em 2024, com 216 magistrados, subiu para R$ 32,6 milhões. Em 2025, com 217 magistrados, chegou aos R$ 33,4 milhões.
Em 2025, a Justiça de Mato Grosso do Sul custou R$ 607,40 por morador do estado. A média nacional dos tribunais estaduais foi de R$ 497,30. O custo em Mato Grosso do Sul ficou R$ 110,10 acima da média brasileira. Em 2023, o custo por habitante do TJMS foi de R$ 573,60, contra média nacional de R$ 411,50. Em 2024, passou para R$ 576,50, enquanto a média dos tribunais estaduais ficou em R$ 431,20.
O TJMS é classificado pelo CNJ como tribunal de pequeno porte. Em 2025, a despesa total do tribunal foi de R$ 1,776 bilhão. O relatório também aponta que, além dos 217 magistrados, há 5.838 servidores no Judiciário estadual.
Em maio, o CNJ determinou que o TJMS refaça os cálculos de verbas indenizatórias pagas a magistrados após auditoria identificar possíveis valores acima do devido nas folhas salariais de março e abril deste ano. Um mês antes, para conter os pagamentos dos penduricalhos, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que as indenizações adicionais, gratificações e auxílios deverão ser limitados a 35% do valor do salário dos integrantes da Corte, que tem o teto como referência e é equivalente a R$ 46,3 mil.
