A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, valor quase duas vezes maior que o obtido no mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
Especialistas ressaltam que guerras não devem ser apoiadas, devido ao alto número de vítimas e à necessidade de soluções diplomáticas. No entanto, os conflitos geram efeitos diretos nas cadeias de valor globais, o que exige preparação antecipada dos países para proteger suas economias.
China, Brasil e Noruega adotaram medidas consideradas eficazes desde o início da guerra no Oriente Médio. Brasil e Noruega possuem matrizes elétricas limpas, baseadas em fontes renováveis como água, vento e sol, além de serem exportadores de petróleo. A China, maior importadora mundial de petróleo, reduziu suas importações por meio de incentivos à eletrificação e ao uso de veículos elétricos.
O Brasil tornou-se o oitavo maior produtor de petróleo do mundo, impulsionado pela exploração do pré-sal e pelo aumento da capacidade produtiva da Petrobras. Atualmente, o país produz quatro vezes mais que a Venezuela, que detém as maiores reservas mundiais, mas não tem capacidade de produção.
O país combina a posição de produtor de petróleo com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, e passa por um processo de transição energética.
Em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia, o cenário é diferente. O conflito provocou escassez global de fertilizantes e nutrientes como fósforo, nitrogênio e potássio, o que prejudica o agronegócio brasileiro. O país depende da importação de 85% a 88% dos adubos consumidos na agricultura nacional.
Essa dependência expõe o setor a riscos geopolíticos, variações cambiais e oscilações nos preços internacionais dos insumos. A falta de uma política industrial para criar fábricas brasileiras competitivas de fertilizantes é apontada como uma falha, considerando que o Brasil é um dos quatro maiores produtores agrícolas do mundo.
O professor Paulo Feldmann, da FEA-USP, afirma que o país teve bom desempenho na transição energética por ter planejado com antecedência, mas sofre no caso dos fertilizantes por confiar que o mercado resolveria a questão.
